O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, usou o
resultado do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) por escola, divulgado na
quinta-feira, para tentar demonstrar que os futuros alunos cotistas, de escolas
públicas, terão capacidade de acompanhar o curso universitário para o qual serão
selecionados.
Dados usados por Mercadante mostram que os 12,5% de alunos
de escolas públicas mais bem colocados no Enem teriam uma média de 630,4 pontos
- maior do que a média geral dos estudantes de escolas privadas, que ficou, em
2011, em 561 pontos. "Isso nos dá muita segurança de que os melhores alunos da
escola pública terão condições de ter um bom desempenho em qualquer curso
universitário que decidirem fazer. A elite do setor público é muito boa",
afirmou Mercadante. "A dificuldade começa a crescer quando começa a aumentar a
cota. Temos um desafio, melhorar a qualidade do ensino médio, para garantir que
essa diferença possa diminuir ao longo dos anos."
Os dados são de 2011,
quando a lei do sistema de cotas não havia sido aprovada. A primeira seleção com
o sistema em vigor está sendo feita nesse momento e os resultados saem até
dezembro. Nesse primeiro ano, 12,5% das vagas das universidades federais devem
ser dadas a alunos de escolas públicas com renda per capita de até R$
933.
Os números apresentados pelo ministro incluem, como alunos da rede
pública, estudantes de todas as escolas federais, colégios como o Pedro II, no
Rio de Janeiro, um dos melhores do País, colégios de aplicação das universidades
federais e escolas técnicas federais, além dos colégios militares - normalmente
colocados entre os melhores do País e que fogem do padrão "porta aberta" citado
pelo próprio Mercadante: aqueles que não fazem seleção prévia de seus alunos e
atendem todos, o que levaria a notas mais baixas. "Não fizemos essa distinção
porque a lei fala em todas as escolas públicas, inclusive essas", afirmou o
ministro. Em muitas dessas escolas, no entanto, a renda per capita das famílias
está além do padrão estabelecido pela legislação.
MédiasOs
dados apresentados pelo ministro mostram que os melhores alunos das escolas
públicas teriam médias superiores à média das escolas privadas até o limite de
50% estabelecido na lei para ser atingido em quatro anos. Nos 12,5% seria
bastante superior. Já no limite final, estaria 13 pontos acima. Já a média geral
dos estudantes de escola pública é de 474,2 pontos, 95 abaixo da média da rede
privada - e isso sem contar a redação, que costuma piorar a nota das públicas e
melhorar a das particulares.
Mercadante aproveitou a
divulgação dos resultados do Enem por escola, que em anos
anteriores eram conhecidos mais cedo, para informar que pretende realizar mais
um seminário sobre mudanças no ensino médio. O ministro quer reunir as escolas
com melhores notas no exame para discutir quais são as práticas que levam aos
bons resultados, apesar de garantir que aquelas com melhores resultados fazem
uma "seleção prévia dos alunos", o que não pode ser feito pelas escolas
públicas.
Segundo ele, está claro que as melhores práticas incluem turno
integral e professores bem preparados. "Vamos construir um programa para o
ensino médio com secretários estaduais, pois são as redes estaduais que
concentram o ensino médio. Precisamos ter um estímulo à educação em tempo
integral, aprimorar o material didático, o projeto pedagógico e as técnicas de
ensino", disse. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.